PRIVILÉGIO E AUTOIMAGEM DOS MILITARES DURANTE A PANDEMIA DE COVID-19 NO BRASIL: APOIO AO GOVERNO FEDERAL SOB O SACRIFÍCIO DA POPULAÇÃO BRASILEIRA
- Publicado
- Servidor
- SciELO Preprints
- DOI
- 10.1590/scielopreprints.9705
A autoimagem supervalorizada dos militares é moldada por seus treinamentos e práticas simbólicas, que garantem privilégios sobre os civis. As Forças Armadas (FA), modernizadas sob um capitalismo dependente, enfrentam dilemas identitários que levam a intervir em questões como segurança pública e saúde, atualizadas por uma Política Nacional de Defesa (PND) que enxerga ameaças externas e internas. Durante a pandemia da Covid-19, as FA enfrentaram esforços com o Governo Federal (GF) ao apoiarem decisões que minimizassem a gravidade da crise sanitária, como a nomeação do general Pazuello para o Ministério da Saúde, que desenvolveu uma postura submissa às diretrizes negacionistas de Bolsonaro, em contraste com seus antecessores. Além disso, o vice-presidente Mourão priorizou a destinação de recursos para a Aeronáutica, mesmo após a crise dos respiradores em Manaus. Parentes de militares também foram implicados em fraudes relacionadas ao auxílio emergencial e atrasos na compra de vacinas. A pesquisa qualitativa envolveu a análise de artigos acadêmicos, documentos jornalísticos e arquivos públicos, revelando que a FA optou por manter seus privilégios e autoimagem, contribuindo para uma política que expõe a população ao risco. A pesquisa faz parte dos Estudos de Defesa, destacando as relações entre civis e militares, a militarização da política e a intervenção militar contínua, que perpetuam os interesses coloniais e impedem o desenvolvimento social independente do Brasil.