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Escrever uma avaliação PREreview

O processamento de o mesmo como anáfora correferencial

Publicado
Servidor
SciELO Preprints
DOI
10.1590/scielopreprints.7786

Este trabalho tem por objetivo discutir sobre o processamento de “o mesmo” como anáfora correferencial, em contextos nos quais o pronome “ele” poderia ser utilizado, e seus possíveis efeitos na compreensão em leitura. Sabe-se que a anáfora tem importante papel na elaboração de um texto e no seu acesso e compreensão, o que a torna foco de muitos estudos desenvolvidos na área da linguística e da psicologia. Em uma relação correferencial, a forma de retomar um antecedente reflete, também, nos custos de processamento e, por conseguinte, pode afetar a representação mental do texto. Para abordar os aspectos elencados, mobilizam-se neste estudo fundamentos em torno dos processos envolvidos na leitura e, ainda, apresentam-se resultados de teste de leitura automonitorada realizado com 26 estudantes universitários. Para correlacionar o tempo de leitura foram analisadas duas medidas, a saber: o tempo total de leitura da sentença às quais os participantes foram expostos e o tempo de leitura do segmento pós-anafórico. Para além disso, foi avaliada, também, a acurácia das respostas às perguntas de controle de atenção. Embora haja uma visão negativa acerca do uso de “o mesmo” como anafórico, ele cumpre o papel que uma anáfora tem na progressão referencial de um texto, propiciando ao leitor a retomada do antecedente. Isso pode ser demonstrado por meio do resultado do teste ora reportado, no qual foi constatado que não houve diferenças estatisticamente significativas no que diz respeito ao processamento das variáveis testadas. Além disso, no que tange à pergunta de controle de atenção respondida pelos participantes, obtiveram-se os mesmos índices de acertos, tanto em conjuntos sentenciais construídos com “o mesmo” quanto com “ele”. Os estudos de processamento anafórico têm mostrado o pronome como um elemento linguístico de processamento mais rápido quando comparado à repetição do antecedente, uma vez que o pronome possui menos informações semânticas, o que evita sobrecarga da memória de trabalho. O sintagma “o mesmo”, por sua vez, parece seguir essa mesma lógica. Assim, a partir dos resultados obtidos por meio do teste de leitura automonitorada, o sintagma “o mesmo” parece atuar como elemento de retomada construindo cadeias coesivas e fazendo com que o referente previamente introduzido seja mantido no foco do leitor, da mesma forma que ocorre com o pronome.

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