Introdução: A ocorrência do câncer de boca no Brasil está entre as mais altas do mundo e sua etiologia pode ser fortemente influenciada por diferenças geoespaciais. O acesso ao diagnóstico e ao tratamento concentra-se nas grandes cidades, comprometendo a distribuição equânime de recursos, e o georreferenciamento de óbitos e hospitalizações auxilia na formulação de políticas públicas. Objetivo: Investigar a tendência e a distribuição espacial das taxas de hospitalização e de mortalidade por câncer de boca no Estado de Goiás. Método: Estudo ecológico de série temporal e análise espacial, com dados do Sistema de Informações Hospitalares (SIH-SUS) e do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), obtidos pelo DataSUS, referentes a 2010-2020. As taxas foram calculadas por 100 mil habitantes. Aplicou-se a regressão de Prais-Winsten (p<0,05), no programa STATA 14, e análise espacial com Índice de Moran Global, Índice de Moran Local (LISA) e Taxas Bayesianas Empíricas, no programa TerraView 4.2.2. Resultados: A taxa de hospitalização variou de 0,3 (2010) a 10,3 (2012) por 100 mil habitantes; a tendência foi estacionária em 59 municípios, crescente em dez e decrescente em dois, com clusters em três regiões (Central, Norte e Oeste). A taxa de mortalidade variou de 1,8 (2010) a 2,8 (2018), com tendência estacionária em 32 municípios e crescente em três; a dependência espacial da mortalidade, ausente em 2010, emergiu em 2020. Conclusão: O Estado de Goiás apresentou descentralização gradativa das hospitalizações para o tratamento do câncer de boca e tendência crescente da mortalidade pela doença entre 2010 e 2020.