Canídeos na Leishmaniose Visceral Americana. Uma revisão histórica do caso brasileiro
- Publicado
- Servidor
- SciELO Preprints
- DOI
- 10.1590/scielopreprints.18317
Este artigo analisa estudos e controvérsias a respeito do papel dos canídeos - cães domésticos e raposas silvestres - na transmissão e no controle da leishmaniose visceral americana (LVA), sob uma perspectiva brasileira, desde a identificação dos primeiros casos, no início do século XX. São examinados os fatores políticos e institucionais que condicionaram esses estudos, bem como as medidas adotadas contra hospedeiros e vetores ao longo de períodos sucessivos caracterizados por diferentes políticas de saúde e configurações de sistemas de saúde. O artigo destaca duas formas de resistência ao sacrifício em massa de cães domésticos, pilar das campanhas de saúde pública contra a leishmaniose visceral no Brasil: a oposição oriunda das populações humanas mais afetadas, seguida pela crescente oposição de cientistas e especialistas em saúde pública a esse curso de ação, impulsionada pelo fato de ter falhado em impedir a expansão geográfica e a urbanização da doença no país. O artigo examina, por fim, uma inovação que ajudou a romper o impasse no controle da LVA: o uso de coleiras impregnadas com inseticida, adaptando uma técnica aplicada anteriormente apenas ao controle de vetores à saúde animal. Por fim esses processos sociotécnicos são contextualizados dentro do arcabouço político e cultural mais amplo de um paradigma emergente de saúde global: a Saúde Única (One Health).