Desigualdades de escolarização e estratégias de classe: capitais, informações e longevidade escolar no Brasil
- Publicado
- Servidor
- SciELO Preprints
- DOI
- 10.1590/scielopreprints.18215
Construir uma trajetória longeva e exitosa de escolarização requer a adoção de diferentes estratégias. Fundamentado na sociologia da educação bourdieusiana, este texto tem como objeto as estratégias adotadas pelas diferentes frações de classe para a construção dessa trajetória. A partir de uma revisão interpretativa da literatura sociológica, o objetivo foi analisar como elites, grupos médios e classes populares mobilizam volumes e composições distintos de capitais econômico, cultural e social na estruturação de suas trajetórias de escolarização. Concluiu-se que a concentração e capacidade de mobilização e conversão dos diferentes capitais produz diferentes percursos e efeitos para os grupos de classe. A informação destaca-se como um trunfo analítico central na conversão de recursos em vantagens educacionais concretas, orientando estratégias assimétricas de acesso, permanência e êxito. Enquanto elites e grupos médios desenvolvem o superinvestimento escolar e práticas de antecipação voltadas à reprodução social e à distinção, promovendo, inclusive, possibilidades de internacionalização na trajetória, os grupos populares articulam um "trabalho escolar" pragmático e gradual, ancorado em mediações docentes e no cálculo de chances a partir do desempenho prévio dos estudantes. As análises evidenciaram, ainda, que, mesmo após a recente expansão do mercado educacional, as desigualdades persistem, reconfigurando as disputas por instituições de prestígio e credenciais distintivas, remodelando os mecanismos de reprodução das desigualdades.