Este artigo analisa as preferências dos brasileiros sobre temas políticos, sua relação com o sistema democrático e as bases ideológicas do bolsonarismo ao longo de oito anos (2018-2026). Com dados longitudinais da série "A cara da democracia" e do instituto Quaest, investigamos como o alinhamento ideológico e a polarização afetiva sustentam o movimento mesmo após a condenação de Jair Bolsonaro e diante dos escândalos que cercam seu herdeiro na corrida de 2026. Os resultados indicam que a sociedade brasileira permanece conservadora, aberta a soluções autoritárias e desconfiada das instituições democráticas, o que preserva solo fértil para o movimento. A base ideológica do bolsonarismo se mantém estável ao longo do período e não se dissolve com a alternância de governo. A essa ancoragem programática soma-se uma camada afetiva: o pertencimento ao bolsonarismo opera como lente que orienta a interpretação dos acontecimentos políticos, diferencia as avaliações entre grupos e se intensifica à medida que as questões se aproximam da figura do líder. Argumentamos que é a combinação entre um alinhamento ideológico sólido e um vínculo afetivo que explica a resiliência eleitoral do bolsonarismo para além de Bolsonaro.