Cooperação científica e redes de conhecimento: expandindo os “invisible colleges” a partir da diplomacia científica
- Publicado
- Servidor
- SciELO Preprints
- DOI
- 10.1590/scielopreprints.17513
O trabalho discute a pertinência do conceito de Invisible Colleges, formulado por Derek J. de Solla Price (1963), para compreender as configurações contemporâneas das redes internacionais de conhecimento e de cooperação científica. As transformações da atividade científica, marcadas pela crescente articulação entre ciência e política em escala global, exigem ampliar o alcance analítico da formulação original de Price. Para tanto, realiza-se uma revisão teórica que aproxima três tradições intelectuais: a sociologia da ciência, a sociologia do conhecimento científico, desenvolvida no âmbito dos Science and Technology Studies (STS), e a literatura de diplomacia científica. Enquanto as duas primeiras permitem compreender a ciência como instituição social e, posteriormente, como uma prática social e cultural de produção do conhecimento, a diplomacia científica evidencia que os processos científicos e políticos encontram-se profundamente articulados na contemporaneidade, incorporando Estados, organizações internacionais, agências de fomento e outros atores político-institucionais às redes por meio das quais agendas de pesquisa, recursos, cooperação internacional e circulação do conhecimento científico são organizados. Conclui-se que a aproximação entre os STS e as Relações Internacionais preserva a potência heurística do conceito de Invisible Colleges e amplia sua capacidade explicativa para interpretar as configurações contemporâneas das redes de conhecimento e de cooperação científica.