As metamorfoses do Antipetismo: um partidarismo negativo estável?
- Publicado
- Servidor
- SciELO Preprints
- DOI
- 10.1590/scielopreprints.17425
O declínio da identificação partidária tem ampliado o interesse pelo estudo do partidarismo negativo, entendido como a rejeição afetiva a partidos específicos. Este artigo analisa a evolução do partidarismo negativo no Brasil entre 2002 e 2022, com ênfase no antipetismo, utilizando as seis ondas do Estudo Eleitoral Brasileiro (ESEB). Distinguimos analiticamente o antipartidarismo da rejeição a partidos específicos e operacionalizamos o partidarismo negativo por meio da escala de sentimentos partidários. Combinando análises descritivas, regressões logísticas e modelos de aprendizado de máquina, examinamos o perfil dos eleitores antipetistas e o impacto desse sentimento sobre o voto e a avaliação de governo. Os resultados mostram que o antipetismo se consolidou como uma identidade política negativa estável, especialmente após 2018, tornando-se mais frequente entre eleitores de direita, com maior escolaridade e idade mais elevada. Além disso, o antipetismo emerge como um importante preditor do comportamento eleitoral e das avaliações de governo no Brasil.