O meme não encerra a conversa: semiose e currículo na formação de professores formadores
- Publicado
- Servidor
- SciELO Preprints
- DOI
- 10.1590/scielopreprints.16928
Este artigo de pesquisa teórica, de natureza teórico-conceitual, pergunta em que condições os memes podem constituir linguagens formacionais na formação de professores formadores. O problema foi provocado por uma cena vivida na itinerância doutoral do autor — a “batalha dos memes” —, retomada como memória implicada, e não como corpus empírico. Metodologicamente, articula essa memória a uma elaboração multirreferencial sustentada pela semiótica de Lucia Santaella, pela ciberpesquisa-formação, pelos atos de currículo e por estudos nacionais e internacionais sobre memes, autoria, identidade docente e composição multimodal. Não reproduz depoimentos, nomes, conversas privadas ou imagens de participantes, nem reanalisa dados da tese. Como resultado, propõe a noção de meme em relação formacional e uma matriz analítica composta por cinco dimensões inseparáveis: condensação semiótica, indexicalidade situada, remixabilidade autoral, interpelação curricular e responsabilidade ético-circulatória. A formulação afasta tanto o uso instrumental do meme como recurso motivacional quanto sua celebração automática como autoria emancipadora. Argumenta que a potência formacional não reside no artefato isolado, mas emerge quando sua circulação permite ler, responder, contestar e transformar a formação e quem a organiza. Conclui que trabalhar com memes na formação de professores formadores exige ambiências nas quais o riso permaneça aberto à semiose, à responsabilidade e às consequências curriculares.