Percepções sobre atitudes de preconceito e discriminação: evidências empíricas a partir do colégio Pedro II
- Publicado
- Servidor
- SciELO Preprints
- DOI
- 10.1590/scielopreprints.15880
Este artigo investiga a percepção de estudantes do 6º ano do Ensino Fundamental do Colégio Pedro II sobre atitudes de preconceito e discriminação nas dimensões socioeconômica e territorial, étnico-racial, de deficiência, gênero, sexualidade, religião e bullying. O Colégio Pedro II constitui locus privilegiado para essa investigação em razão de sua trajetória de democratização do acesso, que produziu significativa heterogeneidade social no corpo discente. A pesquisa adota abordagem quantitativa, com aplicação de questionário estruturado a uma amostra não probabilística de 209 estudantes matriculados em dois campi da instituição. Os indicadores de intolerância foram construídos com base em escalas Likert e de Bogardus, validados por análise de consistência interna, KMO, teste de esfericidade de Bartlett e Análise de Componentes Principais, e padronizados em escala de 0 a 10. Os resultados indicam que a maioria dos estudantes apresenta níveis baixos de intolerância declarada. Estudantes do gênero masculino concentram percentuais discretamente mais elevados nas classes superiores do indicador, com maior dispersão interna das atitudes, embora essa diferença seja praticamente inexistente no bloco relativo à deficiência. Os resultados revelam ainda uma hierarquização interna das formas de discriminação: enquanto estereótipos de gênero são amplamente rejeitados no plano declaratório, as atitudes relacionadas à homossexualidade mostram-se mais resistentes e sistematicamente articuladas com outros marcadores sociais, sobretudo entre os estudantes do gênero masculino.