Este artigo problematiza o silenciamento de saberes camponeses no currículo da Educação do Campo, propondo a categoria analítica de currículo ocultado como chave interpretativa para compreender processos de invisibilização e negação de conhecimentos produzidos por sujeitos do campo. Fundamentado em perspectivas críticas e decoloniais do campo curricular, o estudo tem como objetivo discutir de que modo essa categoria contribui para analisar as disputas epistêmicas presentes na constituição dos currículos escolares em contextos rurais. Trata-se de um artigo de natureza teórica desenvolvido como ensaio teórico, construído a partir de revisão bibliográfica de caráter narrativo que mobiliza produções do campo do currículo, da Educação do Campo e dos estudos decoloniais. Argumenta-se que o currículo ocultado opera como mecanismo histórico e político de marginalização de saberes camponeses, reforçando hierarquias epistemológicas que privilegiam conhecimentos hegemônicos em detrimento de outras formas de produção de conhecimento. Ao mesmo tempo, evidencia-se que tais processos produzem movimentos de resistência e reexistência protagonizados por sujeitos coletivos do campo, que tensionam as lógicas curriculares dominantes e afirmam outras possibilidades de construção do conhecimento escolar. Desse modo, a noção de currículo ocultado contribui para ampliar as análises críticas sobre currículo e aprofundar o debate acerca das disputas de saber e poder na Educação do Campo.