Ler entre línguas e imagens: práticas de letramento, languaging e pessoalidade em um estudo de caso com uma criança imigrante venezuelana
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- SciELO Preprints
- DOI
- 10.1590/scielopreprints.18529
Este estudo analisa a participação de uma criança imigrante venezuelana em práticas sociais de leitura e escrita desenvolvidas em eventos de letramento em uma turma do 5º ano do ensino fundamental de uma escola pública e no Laboratório de Alfabetização e Letramento (LAL/UFMG). O enquadramento teórico fundamenta-se nos Novos Estudos do Letramento (Street, 1984; 2014) que concebem o letramento como prática social (Barton; Hamilton, 1998). Articula-se também com as noções de languaging (Bloome; Beauchemin, 2016; Bloome et al 2027) pessoalidade (Street, 1992; Bloome; Beauchemin, 2016), compreendendo a linguagem como ação social situada e identidade como construção relacional e dinâmica. Metodologicamente, adota-se um estudo de caso de perspectiva etnográfica. A produção de dados incluiu observação participante, notas de campo, registros em áudio e vídeo, entrevistas à família e produções multimodais da criança. Para análise exploramos na análise os conceitos de languaging e personhood para compreender como a criança imigrante utiliza o espanhol e o português no dia a dia para se comunicar, integrar e se posicionar nos relacionamentos que estabelece com outros atores sociais nos contextos observados. Os resultados demonstram a participação da criança em práticas sociais de letramento é atravessada por suas vivências migratórias e repertório bilíngue. Ao linguagear (languaging), a criança venezuelana exerce um papel ativo, valida a pronúncia do espanhol — designado na comunidade por "venezuelano" —, reconfigura posições de participação e reafirma a política linguística familiar de preservação da língua materna. A legitimação da diversidade linguística no espaço escolar promoveu o acolhimento e vínculos entre escola e comunidade.