OBSERVAÇÕES SÓCIO-TERRANAS: POR UMA TEORIA SISTÊMICA DA COMUNICAÇÃO DOS RISCOS AMBIENTAIS
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- Serveur de preprints
- SciELO Preprints
- DOI
- 10.1590/scielopreprints.17866
Este ensaio propõe o conceito de ‘observação sócio-terrana’, ancorado na Teoria Geral dos Sistemas Sociais (TGSS) e na Cibernética de 2ª Ordem, para articular sociedade, humanidade e natureza como sistemas coevolutivos e operacionalmente fechados. Partindo do conceito de observação — a distinção/indicação que funda o conhecer, conforme Spencer-Brown, von Foerster e a biologia do conhecimento de Maturana e Varela —, o texto distingue observações terranas (humanas, de 1ª ordem) de observações sócio-terranas (sociais, de 2ª ordem, reflexivas). Segue-se uma leitura evolutiva luhmanniana: nas sociedades segmentárias, as observações sócio-terranas vinculam-se ao território e à experiência acumulada, transmitidas por tradições orais e ritualizadas, com ressonância ambiental relativamente baixa; nas sociedades estratificadas, distribuem-se entre classes — as superiores observando a natureza sobretudo como recurso de poder e riqueza, as inferiores lidando diretamente com o trabalho agrícola e técnico —, ampliando os riscos por meio de acoplamentos tecnológicos mais estritos, como sistemas de irrigação e grandes plantações; e, na sociedade moderna, funcionalmente diferenciada, essas observações multiplicam-se entre sistemas e organizações, intensificando a ressonância e os riscos socioambientais e dificultando o consenso decisório. Nas considerações finais, exploram-se as implicações analíticas do conceito, a saber, a assimetria entre observação humana e social da natureza, a naturalização/artificialização da paisagem, a fragmentação decisória entre sistemas funcionais (economia, política, ciência), o papel da comunicação ecológica e da inteligência artificial — encerrando com uma reflexão entrópica sobre finitude e dignidade observacional diante do colapso ambiental.