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Morfologia, ensino e texto: reflexões sobre teoria e prática

Publicada
Servidor
Zenodo
DOI
10.5281/zenodo.18726879

Este artigo tem por objetivo apresentar como determinadas formações morfológicas podem atuar na construção dos objetos de discurso centrais à temática dos textos em que ocorrem. Em um trabalho pioneiro, Souza e Gonçalves (2018) afirmam que a interface entre a Morfologia e o Texto pode trazer importantes considerações acerca da motivação para escolha de determinados expedientes morfológicos pelos falantes. Com base nessa perspectiva, esta proposta de interface terá, como arcabouço teórico, os pressupostos da Linguística Textual (cf. MARCUSCHI, 2008; CAVALCANTE, 2011) e da Morfologia (GONÇALVES, 2011; 2019; BASÍLIO, 2005; 2011; ANDRADE, 2008). Segundo Basílio (2011), as motivações para a criação de novas palavras podem vir de outros níveis de organização da linguagem como o texto. Assim, podemos dizer que padrões morfológicos se compatibilizam com a orientação argumentativa dos textos. Através de algumas categorias analíticas da Linguística Textual, como a noção de gêneros e dos processos de referenciação, por exemplo, é possível estabelecer uma perspectiva de análise em que fenômenos morfológicos sejam examinados com base nos textos em que emergem. Entendemos que esta interface teórica é bastante produtiva para o ensino de leitura ao destacar, aos alunos, os elementos linguísticos que apontam para a construção do ponto de vista dos textos, além da coerência e da sua intencionalidade. Pretendemos demonstrar como o emprego de determinadas formações morfológicas, como mesclas lexicais e sufixos dimensionais, são fundamentais no direcionamento argumentativo e na construção do humor em textos multimodais; para isso, utilizaremos como corpus capas do Jornal carioca Meia Hora.

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