Sexo é química: análise elementar das variações metropolitanas combinando sexo, drogas e saúde global
- Publicada
- Servidor
- SciELO Preprints
- DOI
- 10.1590/scielopreprints.17707
Este artigo analisa a construção social e histórica do chemsex como objeto científico, sanitário e político, acompanhando a circulação da categoria entre Londres e o Brasil. O estudo combina revisão crítica da literatura nacional e internacional com análise de documentos de saúde pública. Distinguimos o uso sexualizado de drogas, categoria descritiva ampla, do chemsex, entendido como configuração reiterada na qual substâncias, vias de administração, corpos, plataformas, mercados, culturas sexuais e tecnologias de prevenção organizam o encontro. Argumentamos que o repertório formado por metanfetamina, mefedrona e GHB/GBL contribuiu para estabilizar a categoria em circuitos londrinos, mas não constitui definição universal. No Brasil, a cocaína pode ocupar ou substituir parcialmente a posição estruturante da metanfetamina em determinados circuitos, sem equivalência farmacológica entre as moléculas, compondo uma ecologia mais plural. A comparação evidencia que o chemsex é simultaneamente prática e categoria sociomédica, transformada por mercados, políticas de HIV/aids e desigualdades territoriais, raciais e de classe. Concluímos que respostas públicas devem articular direitos, redução de danos, prevenção de HIV e outras ISTs, atenção primária e cuidado em saúde mental, sem patologizar nem romantizar as experiências.