Este paper examina a expectativa institucionalista de que a representação proporcional e o maior número de cadeiras da Câmara dos Deputados produziriam uma composição ocupacional mais diversificada do que a regra majoritária do Senado Federal. A análise compreende 3.861 registros de deputados e senadores eleitos entre 1998 e 2022. Para comparar Casas com números muito diferentes de integrantes, aplicamos a técnica de rarefação, que permite confrontar grupos de igual tamanho, e os índices de Simpson e Shannon. Essas duas medidas, consagradas na ecologia de populações para o estudo da biodiversidade, avaliam o equilíbrio e a variedade das categorias profissionais representadas no Legislativo. Os resultados contrariam a expectativa institucionalista: a Câmara não apresenta maior diversidade ocupacional, e os indicadores favorecem o Senado em seis das sete eleições analisadas. Esse padrão, porém, muda conforme a eleição e o grau de detalhamento da classificação das ocupações. O índice de Theil, que mede quanto a composição ocupacional varia entre os blocos ideológicos, mostra ainda que esquerda e direita apresentam perfis ocupacionais pouco diferenciados nas duas Casas, contrariando a expectativa de que as divisões ideológicas se traduziriam em bases profissionais de recrutamento claramente distintas. Os dados revelam também uma transformação expressiva no perfil dos eleitos: a proporção dos que declaram ocupações políticas aumentou de aproximadamente 25% para mais de 50% no período, sinalizando o avanço da profissionalização política. Em conjunto, os achados mostram que as diferenças entre as regras eleitorais não se traduzem automaticamente em maior pluralidade ocupacional. A explicação para os perfis encontrados deve considerar também, no futuro, o perfil social de quem disputa as eleições, os critérios utilizados pelos partidos para escolher seus candidatos e a circulação de políticos profissionais entre as Casas, sobretudo o recrutamento de senadores entre ex-deputados federais.