Os cuidados paliativos constituem campo majoritariamente feminizado no Brasil, ainda que a presença de mulheres não acompanhe a ocupação das posições de liderança e de visibilidade. O presente estudo analisou a distribuição por sexo entre as pessoas convidadas para os Congressos Brasileiros de Cuidados Paliativos de 2022 e 2024 e examinou a associação entre sexo e prestígio da função exercida. Trata-se de estudo documental quantitativo censitário, com classificação das participações em três funções hierarquizadas por prestígio: keynote, palestra e moderação. A discussão mobilizou o referencial teórico de Nancy Fraser, articulando as dimensões da redistribuição, do reconhecimento e da representação. Observou-se gradiente inverso entre prestígio da função e proporção feminina nas duas edições, com sub-representação das mulheres nas posições keynotes em relação à composição associativa da entidade nacional. As palestras concentraram maioria feminina ainda assim inferior à esperada, e as moderações aderiram à composição associativa. O achado configura falha de paridade na dimensão política da justiça, expressa nas regras informais que distribuem a voz pública em comunidades científicas.