Corpos vulneráveis: violência, reconhecimento e produção histórica da normalidade feminina
- Publicada
- Servidor
- SciELO Preprints
- DOI
- 10.1590/scielopreprints.16250
O artigo analisa os processos históricos e institucionais de produção davulnerabilidade feminina, discutindo como práticas de cuidado, violência,medicalização e reconhecimento participam da constituição de determinados corposcomo legítimos, desviantes ou socialmente precarizados. O estudo busca compreenderde que maneira instituições modernas organizam formas desiguais de inteligibilidadesocial, pertencimento e acesso à proteção pública, articulando contribuições da História,da Sociologia e da Saúde Coletiva crítica. Trata-se de estudo teórico-ensaístico, deabordagem qualitativa, fundamentado em revisão bibliográfica crítica de referenciaisrelacionados à biopolítica, violência simbólica, estudos feministas, medicalização eestudos da deficiência. A análise mobiliza autores como Michel Foucault, Judith Butler,Pierre Bourdieu, Didier Fassin, Margareth Rago, Mary Del Priore e Debora Diniz paradiscutir os modos pelos quais mecanismos de disciplinamento, gestão administrativa davida e normalização corporal participam da produção histórica da precarização feminina.Os resultados evidenciam que instituições contemporâneas não apenas administramexperiências previamente existentes de sofrimento e vulnerabilidade, mas produzem aspróprias categorias de legitimidade e reconhecimento que posteriormente regulamatravés de dispositivos de cuidado, vigilância e classificação social. Conclui-se que aviolência contra mulheres não pode ser compreendida exclusivamente como eventointerpessoal, mas como expressão de estruturas históricas responsáveis por organizarformas desiguais de existência, proteção e legitimidade social.