Do meio técnico-científico-informacional ao período do meio técnico-científico-cognitivo-algorítmico
- Publicada
- Servidor
- SciELO Preprints
- DOI
- 10.1590/scielopreprints.15608
Este ensaio propõe a hipótese de que o meio técnico-científico-informacional, formulado por Milton Santos, sofre uma mutação qualitativa no contexto do capitalismo contemporâneo, evoluindo para o que se denomina “período do meio técnico-científico-cognitivo-algorítmico”. Argumenta-se que, embora o conceito de Santos permaneça como base infraestrutural, a centralidade da informação é progressivamente subsumida pela modulação algorítmica da cognição coletiva. Para sustentar essa interpretação, articula-se a geografia crítica de Santos com a Lei do Desenvolvimento Desigual e Combinado de Trotsky, a dromologia de Virilio, a noção de psicopolítica de Han, a teoria da plataforma de Bratton e a analítica do poder de Foucault. A convergência entre aceleração temporal, mediação algorítmica e captura da subjetividade intensifica a capacidade de intervenção sobre a psicoesfera. Conclui-se que o meio técnico-científico-cognitivo-algorítmico expressa um novo estágio do território reticulado, no qual a disputa política se desloca para o controle da percepção, da atenção e da cognição coletiva, configurando o processo de neuroterritorialização.