A utilização da Inteligência Artificial Generativa (IAG) tem provocado mudanças nas formas de produção, apropriação e circulação de enunciados em ambientes digitais, trazendo questões importantes para a compreensão da autoria e da construção de identidades discursivas. No campo dos ciberataques, sistemas de geração textual podem favorecer práticas de engenharia social, por meio da produção de enunciados que simulam sujeitos, instituições e situações comunicativas, criando efeitos de autenticidade e legitimidade. Este artigo objetiva discutir as aproximações possíveis entre Análise do Discurso (AD) e Linguística Forense (LF), considerando a IAG como ferramenta de práticas discursivas relacionadas à simulação identitária e à produção de mensagens potencialmente fraudulentas. Para isso, partimos das contribuições de Maingueneau (2005 a 2024), Foucault (2009), Coulthard e Johnson (2007), Sousa-Silva e Coulthard (2016), Schmitt e Flechais (2024), Sousa-Silva (2026), Carreira e Nascimento(2020), entre outros, para compreender as relações entre autoria, ethos, cenas de enunciação e produção de evidências linguísticas. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de cunho interpretativo, cujo corpus é constituído por dois recortes enunciados referentes a situações de engenharia social do caso Eviltoken analisado pela equipe de segurança da Microsoft em seu blog em 22 de setembro de 2026. A análise demonstra que a construção de simulacros de identidades institucionais pode produzir efeitos de legitimidade por meio da apropriação de formas de dizer socialmente reconhecidas. Concluímos que a interface entre AD e LF possibilita ampliar a compreensão das relações entre enunciação, identidade e autoria, especialmente quando a linguagem integra práticas sociais que podem apresentar consequências jurídicas.