Prevalência de helmintíases e desempenho em leitura no 5º ano em 390 municípios brasileiros
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- SciELO Preprints
- DOI
- 10.1590/scielopreprints.18033
A associação entre parasitoses intestinais e desvantagem socioeconômica é amplamente documentada, assim como o impacto negativo da privação material sobre a aprendizagem. Investigamos em que medida as disparidades municipais em leitura associadas à prevalência de quatro helmintíases — Ascaris lumbricoides, Trichuris trichiura, ancilostomídeos e Schistosoma mansoni — persistem depois do ajuste por fatores socioeconômicos e escolares. Neste estudo ecológico, vinculamos o inquérito nacional de parasitoses (2010–2015), que examinou 197.564 escolares em 521 municípios, aos resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) de 2019, nos 390 municípios com pelo menos 100 escolares examinados. A diferença bruta entre os extremos é grande: no quinto de maior prevalência de A. lumbricoides, 37,3% dos estudantes alcançaram 200 pontos ou mais em leitura, contra 59,8% no quinto de menor prevalência — lacuna de 22,4 pontos percentuais. O ajuste por renda, escolaridade materna, saneamento e estrutura das escolas atenua essa diferença em 59% a 79%. O que resta, de 4 a 9 pontos percentuais, é modesto e instável: resiste às verificações de sensibilidade, mas diminui quando entram os municípios de menor amostra e deixa de ser significativo na especificação contínua sob a ponderação por variância inversa, que o plano de análise definia como principal. A prevalência acrescenta pouco ao modelo completo, entre 0,4 e 1,2 ponto percentual de R², e as distribuições dos extremos se sobrepõem amplamente; isolada, explica 17% da variação. Os quatro helmintos apresentaram coeficientes contínuos na mesma direção. Como os dados são municipais, nada se pode concluir sobre o aprendizado de cada criança infectada. A prevalência municipal de A. lumbricoides funciona, nestes dados, sobretudo como indicador de vulnerabilidade territorial, e pouco acrescenta aos indicadores socioeconômicos já monitorados. As rotinas de análise foram programadas e executadas por modelos de linguagem a partir de solicitações dos autores — sobretudo Claude Opus 5 e ChatGPT 5.6 —, em bibliotecas estatísticas correntes; aos autores coube definir as perguntas, aprovar as decisões analíticas e conferir os dados de entrada nas fontes oficiais. Os resultados centrais foram reproduzidos por recomputação independente e o modelo espacial, reestimado na biblioteca PySAL; não houve revisão por estatístico independente nem reextração dos dados a partir das fontes primárias, para as quais os autores não têm formação. Dados, código, protocolo e registros de verificação acompanham o trabalho e estão depositados no Zenodo (DOI 10.5281/zenodo.22664954).