Entre categorias e experiências: repertórios de nomeação sexual e assimetrias de gênero entre estudantes do ensino médio
- Posted
- Server
- SciELO Preprints
- DOI
- 10.1590/scielopreprints.17792
Este artigo analisa as formas pelas quais estudantes do ensino médio nomeiam atração e identidade sexual em um contexto de circulação ampliada de vocabulários sobre diversidade sexual e de gênero. A pesquisa baseia-se em questionário aplicado, em 2022, a 1.242 estudantes dos terceiros anos de oito escolas públicas situadas em regiões de alta vulnerabilidade social de São Paulo, Santos e Sorocaba no âmbito do Projeto Temático FAPESP Vulnerabilidades de jovens às IST/HIV e à violência entre parceiros: avaliação de intervenções psicossociais baseadas nos direitos humanos (processo 2017/25950-2). Os cruzamentos disponíveis mostram que respostas que indicam atração por mais de um gênero, bem como identificações bissexuais, pansexuais ou incertas quanto à própria identidade sexual, aparecem, no universo pesquisado, com frequência bem maior entre pessoas designadas do sexo feminino ao nascer do que entre as designadas do sexo masculino. Argumenta-se que essa assimetria não autoriza atribuir uma fluidez homogênea à juventude nem tratar identidades como espelhos transparentes de desejos individuais. Ela indica, antes, uma disponibilidade desigual de repertórios para interpretar e comunicar experiências de sexualidade. Categorias como “bissexual”, “pansexual” e “não tenho certeza” são compreendidas como recursos situados de nomeação, articulados a relações de gênero, circuitos de reconhecimento e condições históricas de circulação dessas linguagens.