A institucionalização do pensamento social e os institutos extra-universitários: derrotas acadêmicas e vitórias políticas do conservadorismo culturalista (1934-1954)
- Posted
- Server
- SciELO Preprints
- DOI
- 10.1590/scielopreprints.17675
Examina-se o primeiro concurso para a cátedra de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL) da Universidade de São Paulo (USP), aberto em outubro de 1949, mês em que Miguel Reale, então reitor, fundava o Instituto Brasileiro de Filosofia (IBF). O certame foi encerrado apenas em 1954, com a desclassificação, por insuficiência de títulos, de todos os candidatos ligados ao instituto. Sustenta-se que as fronteiras entre o instituto extra-universitário e a faculdade não preexistiam ao certame pois, até 1949, os dois grupos publicavam nas mesmas revistas, frequentavam os mesmos cursos livres e formavam os mesmos alunos. A análise documental dos anuários da FFCL, da Revista Brasileira de Filosofia, da imprensa paulista e da correspondência entre candidatos e membros da banca articula-se à reconstituição das trajetórias dos quadros do IBF, da FFCL e do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB). Argumenta-se que a polêmica travada nos anos 1940 entre Reale e João Cruz Costa acerca da existência de uma tradição filosófica brasileira foi uma disputa sobre a legitimidade para a produção filosófica, e que o concurso a estabeleceu um critério que excedia as reivindicações de legitimidade de ambos os lados: o título acadêmico. A derrota acadêmica, contudo, foi simultânea – e não anterior – ao exercício de funções de Estado pelos mesmos intelectuais, cuja atuação se estenderia das secretarias estaduais ao complexo IPES/IBAD.