Este artigo tem como objetivo apresentar, a partir da pesquisa comparada realizada entre refugiados e migrantes forçados sírios e sírias, de fevereiro a julho de 2020, em Paris (França), e agosto a outubro do mesmo ano, em São Paulo (Brasil), como o cenário de incertezas trazido pela pandemia do Covid-19 desestabilizou as relações político-sociais correntes impactando, por um lado, as economias e mercados globais caracterizados pela interdependência de suas cadeias produtivas. Por outro, a busca pela responsabilização recaindo sobretudo em populações minoritárias, aprofundando ainda mais a desigualdade trazida pela difusão de falsas ou duvidosas notícias como aparato de sustentação de um pânico moral (Hirst; Maciel, 2022) ancorados à figura do inimigo imaginário, como expresso em discursos dos presidentes Jair Bolsonaro e Emannuel Macron, transmitidos em rede nacional. Neste contexto, a convenção metodológica do que é(ra) considerado estabelecido pela sociologia reposiciona as regras do jogo ao impor dilemas pouco aceitos como soluções, até então. Dentre eles a aplicação da mediação das tecnologias de comunicação, TICs, (Diminescu; Nicolosi, 2019) no âmbito da interseccionalidade como lente analítica ao longo do ciclo migratório e expressão do prolongamento das desigualdades no acesso às territorialidades, sejam elas físicas como igualmente digitais. Da mesma forma que aprofundou o amálgama dos (re)arranjos encontrados pelos atores, considerados periféricos, para (re)compor seus eixos de articulação (Merino, 2020; Telles, 2020) durante a obrigatoriedade pelo Estado - mandatária ou aconselhada - de um isolamento social que sugeria a imobilidade de seus corpos. Mas não de suas obrigações.