O artigo discute a condição contemporânea da docência, tomando como eixo a tese de que ser professor é, antes de tudo, cuidar da aprendizagem do estudante e de sua autoria, e não apenas transmitir conteúdos. Com base em dados internacionais (TALIS, PISA, BID) e nacionais (Censo Escolar, Anuário Brasileiro da Educação Básica, PNAD), analisa-se a crise de atratividade, a precarização dos vínculos e a “tsunamização” da Educação a Distância privada na formação inicial, articulando esse cenário à emergência da inteligência artificial como dispositivo de radicalização do instrucionismo. No plano empírico, além dos dados estatístico, o texto focaliza a Escola de Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação (EAPE), responsável pela formação continuada da rede pública de Brasília-DF, capital do Brasil, examinando quantitativos de oferta, taxas de participação e desistência, bem como narrativas de docentes e formadores/as. A partir desse duplo movimento teórico-empírico, argumenta-se que a formação docente, inicial e continuada, só se torna politicamente relevante quando assume a Educação em e para os Direitos Humanos e os Saberes Críticos como horizonte, enfrentando desigualdades de raça, gênero, classe, território e os efeitos do neoliberalismo educacional. O artigo conclui que políticas como a EAPE podem operar como laboratórios públicos de autoria docente e transformação, desde que disputem a centralidade da aprendizagem crítica frente à lógica massificada e mercantilizada de formação.