Skip to PREreview

PREreview of A inclusão de estudantes com deficiência por meio da artequímica: revisão sistemática de literatura

Published
DOI
10.5281/zenodo.18682225
License
CC BY 4.0

O manuscrito “A INCLUSÃO DE ESTUDANTES COM DEFICIÊNCIA POR MEIO DA AREQUÍMICA: REVISÃO SISTEMÁTICA DE LITERATURA” discute tema de atual relevância na pesquisa em ensino de ciências, especificamente no ensino de química. Deixo a seguir algumas reflexões que tive após a leitura do manuscrito e que talvez ajudem as autoras e o autor a pensarem possíveis futuros passos de aprimoramento tanto do manuscrito quanto da pesquisa de modo geral.

Primeiro, a introdução está especialmente extensa. Além dessa seção ocupar mais de 3 páginas, tive a sensação de estar lendo algo mais próximo de uma fundamentação teórica ou de uma discussão. O problema a ser investigado (inclusão de estudantes com deficiência em pesquisas que articulam arte e química) pode ser apresentado de forma mais direta. Por exemplo, há 4 citações diretas destacadas de 4 diferentes autores. Como não faço pesquisa nessa temática particular, não sei dizer se essas referências são canônicas e estariam sendo utilizadas na introdução como forma dos autores demarcarem seu posicionamento epistemológico (o que poderia justificar a pertinência). Caso não seja esse o objetivo, talvez valha considerar reduzir esses trechos, citando-os indiretamente se ainda forem necessários, e reorganizar a seção para deixar algumas passagens para a discussão ou para outros trabalhos.

Segundo, sobre a classificação da própria pesquisa. Sugiro que considerem manter apenas o termo revisão sistemática da literatura, evitando termos como Estado do Conhecimento (EC) e Estado da Arte (EA) já que o manuscrito não entra nessa discussão e nem discutem suas particularidades. Também, pode causar estranhamento ao leitor sobre o sentido de um EC com apenas 3 trabalhos incluídos, o que pode levantar dúvidas sobre os critérios de inclusão (ver meu próximo comentário). Logo, talvez não seja necessário dizer que EC “Por vezes é confundido com o Estado da Arte (EA), porém o EC é mais restrito e segue uma metodologia mais rigorosa quanto a seleção dos estudos analisados, diferenciando-se da EA que se propõe um estudo amplo sobre determinado tema/setor” (p. 7) porque isso abre margem para uma controvérsia conceitual que simplesmente não é o foco do texto. Além disso, como o manuscrito não traz referência para esse trecho, e como a literatura da área traz entendimentos diversos (inclusive recentes), essa passagem pode acabar atraindo crítica paralela. Por exemplo, Teixeira (2023) discorda da diferenciação entre EC e EA, e aponta que ambas são diferentes de revisões sistemáticas da literatura. Já Fontes e Rodrigues (2024) entendem que EC, EA, revisões sistemáticas da literatura e demais pesquisas bibliográficas inventariantes e descritivas podem ser agrupadas em um mesmo bloco de pesquisas empíricas para muitas análises práticas da área, tal como a realizada no manuscrito. Em suma, minha sugestão é manter o texto centrado em “revisão sistemática da literatura” para evitar discussões laterais.

Terceiro, acredito que o desenho e a descrição metodológica podem ser refinados para aumentar a transparência para o leitor. Por exemplo, não está claro por que o recorte temporal inicia em 2019 (por que não deixar em aberto o início ou justificar a escolha por algum marco, como evento/legislação específica?). Também não entendi por que foi adotado como critério que o termo “Química” obrigatoriamente estivesse no título quando da busca pelos artigos. Parece razoável entender esse critério como rigoroso demais e, com isso, ter influenciado a quantidade de estudos encontrados. Como o manuscrito não traz maiores informações ou uma autocrítica desse ponto (por exemplo, quantos resultados apareceriam sem essa restrição, mantendo os demais critérios) a pessoa leitora pode ficar na dúvida sobre o quanto os achados refletem o “estado” do tema e o quanto refletem as escolhas metodológicas. É evidente que os autores têm liberdade para definir os próprios critérios, mas isso implica na interpretação dos resultados. Por exemplo, no último parágrafo do manuscrito consta que “é notório a limitação da quantidade de estudos incluídos” (p. 12). Talvez essa conclusão pudesse ser reescrita de forma a também apontar a própria natureza do recorte metodológico, algo como “é notório a limitação da quantidade de estudos incluídos, embora não saibamos o papel dos critérios de inclusão/exclusão neste resultado”. Também me chamou atenção que foram encontrados (e posteriormente excluídos) 9 artigos por serem “estado da Arte”. Talvez a leitura desses 9 artigos possa contribuir para a ampliar o próprio corpus do manuscrito e/ou realizar um diálogo mais direto com a própria metodologia que escolheram.

Outras pequenas observações: há uso da primeira pessoa do singular em alguns trechos, mas o manuscrito é em coautoria; talvez valha a padronizar para a primeira pessoa do plural ou deixar impessoal. A referência Andrade (2024) não consta na lista de referências. As figuras 1 e 2 são apresentadas como fluxogramas mas não há setas indicando o fluxo; minha sugestão é adicionar setas ou renomear a figura. Senti falta de um ou dois parágrafos de síntese da discussão após a apresentação dos artigos A1, A2, A3 e antes das conclusões de forma a costurar os resultados. Evitar termos como “maioria” quando fazer a referência a análise. Por exemplo no trecho “A maioria dos estudos observou melhorias no engajamento dos alunos” (p. 11), como foram apenas 3 estudos incluídos, talvez seja melhor dizer que 2 dos 3 estudos observaram melhorias.

Em suma, finalizo comentando que embora o manuscrito possa se beneficiar de pequenos ajustes, ele está bem redigido e constitui uma importante contribuição para a área, sobretudo por articular inclusão, ensino de química e abordagem mediada pela arte.

Referências

Fontes, D. T. M., & Rodrigues, A. M. (2024). Análise local, pensamento global: estrutura e dinâmica de relações colaborativas na pesquisa em Ensino de Ciências. Investigações em Ensino de Ciências29(1), 427-455.

Teixeira, P. M. M. (2023). Estados da Arte: aparando arestas na compreensão dessa modalidade de pesquisa. Ciência & Educação (Bauru)29, e23034.

Conflitos de interesse

O autor declara que não possui conflitos de interesse.

Uso de Inteligência Artificial (IA)

The author declares that they did not use generative AI to come up with new ideas for their review.