Este artigo relata um estudo de natureza qualitativa, realizado no campo da Linguística Aplicada (LA). Discute a importância da educação científica para uma formação inicial de professores de línguas que seja sustentável e que se constitua como forma de resistência a desigualdades e exclusões validadas por relações de poder estabelecidas. Para tanto, assume perspectiva transgressiva de educação científica, elegendo as ciências da linguagem como campo legítimo de práticas científicas e buscando romper com a relação hierarquizada entre ensino e pesquisa. Teve como aporte metodológico a análise documental respaldada na Teoria Ator-Rede, focalizando relatórios de iniciação científica produzidos por acadêmicos das licenciaturas em Letras da Universidade Federal do Tocantins (UFT), no contexto do Programa Institucional de Iniciação Científica (PIBIC). O objetivo foi examinar a formação científica dos bolsistas pesquisadores do programa, com possíveis desdobramentos para sua atuação profissional. As análises sinalizaram a possibilidade de se formarem estudantes-professores-pesquisadores mais reflexivos, críticos e produtores de conhecimentos e saberes; ademais, que possam transitar entre os espaços pedagógico e científico atendendo a demandas sociocientíficas. Além do aporte teórico que investiga língua(gem) e formação de professores a partir da LA, dialoga com autores da educação científica e das ciências sociais.