Objetivo: Analisar a distribuição e os determinantes da adoção de instrumentos municipais de gestão de riscos hidrometeorológicos no Brasil, examinando sua associação com a ocorrência, recorrência e efeitos dos desastres, segundo porte populacional e vulnerabilidade social. Métodos: Estudo ecológico transversal com os 5.565 municípios brasileiros. A exposição a desastres hidrometeorológicos (2017–2020) foi obtida do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD) e as informações sobre instrumentos de gestão climática foram obtidas da Pesquisa de Informações Básicas Municipais (MUNIC), de 2020. Utilizou-se regressão de Poisson com variância robusta para estimar razões de prevalência brutas e ajustadas por porte populacional e vulnerabilidade. Resultados: O mapeamento de áreas de risco foi o instrumento mais adotado (46,0%); planos de contingência (25,3%) e sistemas de alerta antecipado (23,4%) apresentaram cobertura intermediária, e programas habitacionais (16,7%) e mecanismos de fiscalização (18,5%) foram os menos frequentes. Municípios com registro de eventos hidrometeorológicos, especialmente com danos à saúde, apresentaram maior prevalência de instrumentos de gestão de riscos climáticos, com destaque para a associação entre sistemas de alerta (RP=6,53; IC95% 3,69–11,55) e eventos com registro de destruição de instalações de saúde. Municípios de maior porte populacional e menor vulnerabilidade social concentraram a maior proporção de instrumentos implementados. Conclusão: A experiência prévia com desastres associa-se à maior institucionalização de instrumentos de gestão de risco, mas desigualdades estruturais por porte e vulnerabilidade social persistem, evidenciando a necessidade de fortalecer as estratégias de mitigação de riscos climáticos.