Este artigo é resultado da minha pesquisa de mestrado que examinou a bibliografia produzida especificamente sobre o trabalho doméstico remunerado, nas ciências sociais brasileiras (sociologia, antropologia e ciência política), durante os anos 1970, quando estes estudos começaram, ao ano 2000, quando mudanças mais intensas passaram a ser percebidas nesse setor. Buscou-se fazer um balanço crítico dessa literatura identificando-se quais as principais contribuições de seus estudiosos e estudiosas para a compreensão do fenômeno do emprego doméstico no Brasil, uma das ocupações mais antigas e também mais precarizadas. Foram encontradas cinco obras de maior fôlego (livros, dissertações de mestrado e teses de doutorado), todas de autoria feminina. Ao comparar os discursos de patrões e trabalhadoras domésticas sobre o trabalho doméstico remunerado, a partir de um conjunto de fontes documentais, e os objetos de pesquisa das pesquisadoras referidas, observou-se que, malgrado elas tenham produzido valiosas contribuições para os estudos do trabalho doméstico remunerado, tecendo reflexões importantes para a compreensão do fenômeno, seus estudos esbarraram no que foi chamado aqui de perspectiva patronal. Os achados desta pesquisa sugerem a necessidade de se lançar um olhar mais atento à produção acadêmica das ciências sociais sobre o trabalho doméstico remunerado, de modo que os vieses possam ser trazidos à luz e devidamente escrutinados. Acredita-se que a maior diversidade social e racial nos quadros docentes e discentes das instituições acadêmicas esteja colaborando para o aumento da criticidade e, consequentemente, para o avanço do conhecimento no campo.