O presente artigo tem como objetivo analisar o impacto de oficinas de letramento acadêmico, concebidas como estratégia de nivelamento para estudantes ingressantes do curso de Licenciatura em Letras de uma universidade pública no interior do Maranhão. Parte-se do reconhecimento de um hiato entre as práticas de leitura e escrita desenvolvidas na Educação Básica e as exigências da esfera universitária, agravado por desigualdades socioeducacionais e econômicas que afetam o acesso e a permanência no ensino superior. Metodologicamente, o estudo fundamenta-se na pesquisa-ação (Thiollent, 1985), com acompanhamento de uma turma caloura ao longo de um semestre na disciplina de Introdução à Linguística. O percurso investigativo compreendeu quatro fases: diagnóstica, com aplicação de questionários e observação; planejamento; execução de oficinas presenciais com momentos de prática, abordando gêneros acadêmicos, ética científica e normas da ABNT e avaliação contínua, realizada por meio de diários de campo. O aporte teórico ancora-se na Pedagogia dos Multiletramentos e na concepção de letramento como prática social situada (Cope e Kalantzis, 2026; Lea e Street, 1998; Street, 2014). Conclui-se que, embora ações de nivelamento não sejam suficientes para enfrentar, de forma isolada, desigualdades estruturais mais amplas, intervenções fundamentadas em um aporte teórico-metodológico consistente podem produzir impactos relevantes no curto prazo. Evidencia-se, assim, a necessidade de práticas formativas contínuas, situadas e multimodais no Ensino Superior público, capazes de articular acesso, permanência e participação crítica, contribuindo para a formação de professores como agentes de letramento e para a democratização desse espaço, sobretudo nas instituições fora dos grandes centros urbanos.