Criança deficiente ou deficiente criança? relações brincantes entre crianças produzidas na escola de educação infantil
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- SciELO Preprints
- DOI
- 10.1590/scielopreprints.17036
O artigo que apresentamos tem como objetivo compreender de que maneira as brincadeiras tensionam e configuram as relações entre crianças com e sem deficiência no cotidiano de uma escola municipal de Educação Infantil. A análise articula diferentes perspectivas teóricas sobre infância, cultura e deficiência, buscando compreender as crianças como sujeitos sociais e produtores de cultura. Parte-se da compreensão de que a infância constitui um espaço de produção simbólica no qual as crianças elaboram sentidos sobre o mundo e sobre si mesmas nas interações com seus pares. Nesse contexto, o brincar é tomado como prática central da cultura infantil, configurando-se como espaço de criação, negociação e ressignificação de experiências. A partir da noção de cultura de pares, compreende-se que as crianças produzem e compartilham significados no cotidiano, reinterpretando elementos da cultura adulta e atribuindo-lhes novos sentidos. Assim, as interações estabelecidas nas brincadeiras revelam modos singulares de participação, pertencimento e agência, evidenciando táticas cotidianas de construção de espaços próprios no interior da instituição escolar. A pesquisa foi desenvolvida a partir de uma abordagem etnográfica, tendo como principais instrumentos de produção de informações a observação participante e o diário de campo. Tal perspectiva nos possibilitou acompanhar o cotidiano das crianças e compreender como elas percebem e se relacionam com o outro, com ou sem deficiência, no contexto das brincadeiras. Os resultados indicam que, por meio do brincar e da cultura de pares, as crianças constroem formas próprias de interação, produzindo sentidos sobre a diferença e elaborando modos singulares de convivência no espaço escolar.