Este artigo parte da seguinte problematização: qual a razão da ausência de pesquisas sobre crianças ciganas, nos estudos da criança ou das infâncias no Brasil? Por que temos tão poucas etnografias sobre crianças ciganas no país? Diante disso, este artigo visou mapear pesquisas sobre povos ciganos no Brasil que consideraram as crianças, em áreas de conhecimento diversas, para um levantamento dos temas, das abordagens e perspectivas. Descobrimos as crianças ciganas às margens do texto e suas infâncias analisadas em termos etnocêntricos. Acreditamos que pesquisas antropológicas que tomassem tais crianças como protagonistas lançariam luz sobre a presença e a importância delas em seus grupos étnicos, para a manutenção de sua organização social e a perpetuação de suas comunidades tradicionais. Estas pesquisas também poderiam subsidiar políticas públicas voltadas para as crianças e os povos ciganos em geral. Este texto argumenta em favor de uma Antropologia da Criança Cigana, para a compreensão das infâncias ciganas em seus próprios termos.