ANÁLISE DE VIVÊNCIAS ESCOLARES DE PESSOAS TRANS NO ÂMBITO DA EDUCAÇÃO BÁSICA
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- SciELO Preprints
- DOI
- 10.1590/scielopreprints.10586
O presente artigo objetivou a análise das vivências de pessoas transgênero, transexuais e travestis que se concretizam no cotidiano de escolas brasileiras. Neste sentido, discorre sobre não somente as experiências escolares de estudantes e professoras trans, mas também sobre temas que se interseccionam, como a infância e adolescência trans, a transmisoginia cotidiana das normas escolares de gênero e suas consequências a nível emocional, e a repercussão das violências transfóbicas para a prática profissional de educadoras transexuais e travestis. Fundamenta-se nos estudos transfeministas e na teoria decolonial. Deteve como metodologia a revisão integrativa de literatura, com buscas no portal de periódicos da CAPES, a qual selecionou quinze artigos. Compreendeu-se que a discriminação direcionada a dissidentes de gênero-sexualidade é uma realidade duramente presente nas escolas, sendo um mecanismo biopolítico, pautado na cisheteronormatividade, para controle e exclusão, levando estudantes trans ao sofrimento e evasão escolar. Ainda, professoras transgênero que constroem suas trajetórias na educação, rompendo com o estereótipo da mulher trans que vive da prostituição ou tão somente dela, são muitas vezes perseguidas por um Cistema social e educacional conivente com o assédio e a exclusão transfóbica. Entretanto, ressalta-se a agência de pessoas trans, com inúmeros relatos de resistência e (re)invenções frente às violências. Compreende-se que é dever da instituição escolar a construção de um ambiente de respeito e apoio, propiciando o decrescimento da evasão de pessoas trans, a promoção de ambientes seguros de trabalho para docentes trans e a necessária construção e promulgação dos saberes calcados nas dissidências de gênero e sexualidade.